MOÇOILAS
Os cantos do Sul, nas vozes das mulheres que guardam a Primavera. Desde 1994 que as Moçoilas trazem à superfície o que andava escondido na Serra do Caldeirão — as canções que viviam nos montes e nas aldeias, nos seus tons, nos seus sons e cheiros, na voz para fora que ecoa e se transporta. O que nasceu de uma necessidade urgente de resgatar o canto do Algarve, esquecido ou guardado nas dobras do tempo, tornou-se com os anos uma das vozes mais afirmativas e necessárias do cancioneiro tradicional português.
Trinta anos passados, as Moçoilas não pararam. Percorreram festivais de norte a sul do país, rumaram de inverno em inverno às aldeias do interior, subiram a palcos maiores sem perder a raiz, e partilharam cena com alguns dos nomes mais singulares da música portuguesa — de Vitorino a Rão Kyao, de Ana Bacalhau aos Galandum Galundaina. O encontro mais improvável — e talvez o mais memorável — foi com Maria João no Festival F, em Faro: a diva do jazz e da improvisação frente às três vozes a cappella do Sul, num cruzamento de latitudes musicais que ninguém esperava e que ficou na memória de quem lá esteve.
É hoje a Margarida Guerreiro — memória viva desde a primeira hora —, a Inês Rosa e a Teresa da Silva que carregam esta história e a levam adiante. Moçoilas é uma atitude, é uma alma, sentida de dentro, manifestamente afirmativa, alegre e feminina. É um canto solto com harmonias doces, duras e simples. Um trio que repega os antigos temas e os enriquece com a sua própria energia, que modifica uns, se apropria de outros e que nunca para de preparar caminho para novas melodias, novas canções.
O canto do Sul está vivo. E mora nestas três vozes.
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QU’É QUE TENS A VER COM ISSO
JÁ CÁ VAI ROUBADO

